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ABRAFE debate impactos de salvaguardas europeias em reunião da FIEMG sobre comércio internacional

A reunião do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), realizada na última sexta-feira, reuniu representantes do setor produtivo e especialistas para debater os impactos do comércio internacional para a indústria mineira. A abertura foi conduzida por Alexandre Mello, presidente do Conselho, que destacou a importância de ampliar o diálogo sobre os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia para o setor produtivo. Na sequência, Iara Ferreira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentou um panorama da inserção do Brasil no comércio internacional e os desafios para ampliar a competitividade da indústria no mercado global. Já Constanza Negri Biassuti, também da CNI, detalhou as perspectivas do acordo Mercosul–União Europeia e seus possíveis efeitos sobre as exportações brasileiras.

Durante o debate, Fausto Varella, presidente do Centro Industrial e Empresarial de Minas Gerais (CIEMG) e do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), ressaltou a importância de ampliar o valor agregado das exportações e aproveitar a matriz energética mais limpa do Brasil como vantagem competitiva. A reunião também abordou mecanismos de defesa comercial, com a advogada Karla Borges, do escritório BFSA Trade Law Advogados, apresentando o caso de antidumping conduzido pelo Sindimalhas-MG. Ainda sobre o tema, Luiz Eduardo Salles, da Azevedo Sette Advogados, contratada da ABRAFE, destacou a importância dos instrumentos de defesa comercial para garantir condições equilibradas de concorrência no comércio internacional.

Encerrando o debate, a Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (ABRAFE), representada pelo seu diretor executivo Bruno Parreiras, apresentou uma análise sobre a investigação de salvaguardas conduzida pela União Europeia referente à importação de determinadas ferroligas, iniciativa que resultou na adoção de quotas de importação e outras restrições comerciais com vigência de até três anos. O processo foi iniciado em dezembro de 2024 e foi concluído em dezembro de 2025. A entidade destacou a relevância do mercado europeu para o setor — responsável por cerca de 28% das exportações brasileiras de ferroligas e silício metálico em 2025.

Produtos abrangidos pela investigação

A investigação europeia abrange alguns dos principais insumos utilizados na produção siderúrgica e metalúrgica. Entre os produtos incluídos estão:

  • Ferromanganês – NCMs 7202.11.00 e 7202.19.00
  • Ferrosilício – NCM 7202.21.00
  • Ferro-silico-manganês – NCM 7202.30.00
  • Ferro silício magnésio – NCM 7202.99.90

Por outro lado, alguns itens relevantes do setor ficaram fora do escopo da investigação, como:

  • Silício metálico – NCM 2804.69.00
  • Cálcio-silício – NCM 7202.99.90.

A investigação possui abrangência global, aplicando-se a praticamente todos os países exportadores para o bloco europeu, com exceção da Ucrânia. No entanto, países em desenvolvimento podem ser excluídos das medidas caso cumpram critérios específicos relacionados à participação nas importações totais da União Europeia.

Segundo a ABRAFE, o acompanhamento da investigação é estratégico, já que a adoção de quotas e preços mínimos de importação gera incertezas comerciais e exige maior coordenação do setor exportador na defesa da competitividade brasileira no mercado internacional.

A ABRAFE segue monitorando o andamento da aplicação da medida e avaliando seus impactos para o setor, buscando contribuir para a defesa da competitividade das exportações brasileiras e para o adequado reconhecimento das especificidades da produção nacional no comércio internacional.

Confira as fotos do evento:


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