Em reunião estratégica realizada nesta quinta-feira (02/04/2026), a Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (ABRAFE) e o BNDES discutiram a ampliação do apoio financeiro ao setor, com foco em sustentabilidade e competitividade global. O encontro detalhou como as linhas de crédito do banco estão alinhadas às metas da Nova Indústria Brasil (NIB), visando uma indústria mais verde, digital e orientada à exportação.

Fomento à Descarbonização e Inovação
Durante a reunião, o BNDES apresentou um conjunto de soluções robustas para apoiar a transição ecológica e a modernização tecnológica do setor de ferroligas. Entre os principais instrumentos destacados, estão:
- Fundo Clima: Voltado a projetos que comprovem a redução de emissões de gases de efeito estufa. Oferece taxas fixas competitivas (em torno de 7,5% a 8,5% ao ano) e prazos de até 16 anos.
- BNDES Mais Inovação: Destinado a projetos de P&D, digitalização e Indústria 4.0. Para inovação pura, o custo é indexado à TR, resultando em taxas em torno de 4% a 4,5% ao ano.
- Apoio à Bioestratégia: O banco reforçou o interesse em financiar a substituição de insumos fósseis por renováveis (carbono biogênico), área em que o setor de ferroligas já possui liderança mundial.

Brasil Soberano e Competitividade Internacional
Diante do complexo cenário geopolítico e das pressões tarifárias internacionais, como o CBAM da União Europeia e as tarifas dos Estados Unidos, discutiu-se o programa Brasil Soberano Dois.
- Expansão do Crédito: O novo programa será mais amplo, apoiando empresas exportadoras impactadas por guerras ou tarifas, além de setores estratégicos para a balança comercial.
- Segurança Jurídica: Flávio Mota, chefe do Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES, enfatizou a importância de converter a Medida Provisória (MP 1345) em lei para garantir a perenidade dos recursos e prazos operacionais mais viáveis para as empresas.


Inteligência Setorial e Próximos Passos
A ABRAFE e o BNDES acordaram uma aproximação ainda mais estreita entre suas equipes de inteligência setorial. O objetivo é detalhar as peculiaridades de cada liga (cálcio, manganês, cromo, silício, etc.) para que as políticas públicas e linhas de financiamento sejam calibradas com precisão, garantindo o custo de capital necessário para enfrentar concorrentes globais.
“O setor de ferroligas está alinhado com todas as diretrizes do banco, incluindo descarbonização e inovação. Nosso objetivo é apoiar o plano de investimentos da cadeia produtiva para que ela se mantenha competitiva e líder no mercado mundial.” — Flávio Mota, BNDES.