Reunião abordou os diferenciais ambientais e sociais da produção brasileira de ferroligas e silício metálico e os critérios de sustentabilidade adotados pela ResponsibleSteel
A ABRAFE e a ResponsibleSteel realizaram, em 4 de agosto de 2026, uma reunião para discutir a sustentabilidade dos insumos utilizados na produção de aço e o reconhecimento dos atributos ambientais e sociais da produção brasileira de ferroligas e silício metálico. Participaram do encontro Bruno Parreiras, Diretor Executivo da ABRAFE, e Shiva Kumar, Diretor de Desenvolvimento e Inovação da ResponsibleSteel.

Durante a reunião, Bruno Parreiras apresentou as características da indústria brasileira e os dados do inventário de emissões do setor, destacando dois diferenciais da produção nacional: a utilização de biorredutores, principalmente carvão vegetal produzido a partir de florestas plantadas, e a utilização de energia elétrica de matriz predominantemente limpa, baseada principalmente em geração hidrelétrica, complementada por contratos de autoprodução e aquisição de energia de fontes eólica e solar.
Esses fatores conferem à produção brasileira uma vantagem ambiental e competitiva relevante, especialmente em termos de intensidade de emissões de gases de efeito estufa. Também foi destacada a contribuição socioeconômica das unidades produtoras para os municípios onde estão instaladas, incluindo geração de empregos, arrecadação e contribuição para a melhoria dos indicadores de desenvolvimento humano.
Bruno ressaltou que esses atributos deveriam ser mais adequadamente considerados pelas empresas siderúrgicas que assumem compromissos com a produção de aço responsável e sustentável, especialmente nas decisões de aquisição de matérias-primas. Nesse contexto, também foi manifestada preocupação com produtos provenientes de países cuja produção utiliza predominantemente energia e redutores de origem fóssil, resultando em maior intensidade de carbono, além das condições sociais e trabalhistas associadas a determinadas cadeias internacionais de fornecimento.
Sustentabilidade do biorredutor
A sustentabilidade do biorredutor utilizado na produção de ferroligas também esteve entre os principais temas da reunião. Shiva Kumar explicou que, para que o biorredutor seja considerado sustentável, é necessário verificar se a madeira é proveniente de plantações estabelecidas em áreas que não eram comprovadamente utilizadas para a produção de alimentos.
Bruno esclareceu que a silvicultura de eucalipto no Brasil possui mais de cem anos de história e aprimoramento de produtividade, ocupando áreas de baixa aptidão agrícola. Atualmente, sua expansão ocorre, em grande medida, sobre áreas de pastagens degradadas ou improprias para outras culturas.
Também foi destacado que a silvicultura comercial brasileira, além de apresentar elevada produtividade e sistemas de manejo sustentável, contribui para a conservação ambiental ao reduzir a pressão sobre as florestas nativas e manter áreas destinadas à preservação ambiental e à reserva legal. A legislação brasileira estabelece diferentes percentuais mínimos de reserva legal conforme a região, chegando a 80% na região amazônica.
ResponsibleSteel e os critérios de certificação
Na sequência, Shiva Kumar apresentou o sistema de certificação da ResponsibleSteel, que contempla quatro níveis, do nível 1 ao nível 4, de acordo com o grau de atendimento aos requisitos e de evolução da empresa em direção a uma produção de aço cada vez mais responsável e à redução das emissões de gases de efeito estufa.
A organização trabalha com 13 princípios, entre eles o Princípio 3 – Responsible Sourcing, relacionado ao suprimento responsável, e o Princípio 10 – Greenhouse Gas Emissions and Climate Change, relacionado às emissões de gases de efeito estufa e às mudanças climáticas. Segundo Shiva, o suprimento sustentável já está incorporado ao padrão da ResponsibleSteel por meio do Princípio 3. Para avançar a partir do nível 2 de certificação, a empresa precisa apresentar um roadmap relacionado ao suprimento responsável. Já para alcançar o nível 4, deve demonstrar uma evolução significativa em direção a emissões líquidas zero, considerando inclusive as emissões de Escopo 3, que incluem as emissões associadas aos produtos e matérias-primas adquiridos e utilizados nos processos produtivos.

O tema é especialmente relevante para a ABRAFE, uma vez que as emissões associadas às ferroligas e ao silício metálico utilizados pela siderurgia podem integrar a cadeia de emissões de Escopo 3 das empresas consumidoras.
A reunião foi considerada produtiva, com abertura para o aprofundamento das discussões sobre a sustentabilidade dos insumos utilizados na produção de aço e sobre os atributos ambientais e sociais da produção brasileira.
A ABRAFE reforça a importância da aproximação entre as entidades e da continuidade do diálogo técnico sobre o reconhecimento e a valorização dos atributos ambientais e sociais das ferroligas e do silício metálico produzidos no Brasil.
Seguimos debatendo temas relevantes, buscando soluções e fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do setor de ferroligas e silício metálico produzido no Brasil.