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ABRAFE marca presença em debate estratégico sobre o mecanismo europeu de carbono

A ABRAFE, representada pelo seu diretor executivo Bruno Parreiras, esteve presente, nessa quarta, no Workshop “Entendendo o CBAM”, promovido pelo Sindifer e pela International Iron Metallics Association (IIMA).

O encontro reuniu especialistas e lideranças do setor para discutir, em alto nível técnico, os impactos do mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) sobre o ferro-gusa e as ferroligas brasileiras — tema que vem ganhando centralidade na agenda estratégica da indústria, especialmente diante dos desafios relacionados à competitividade internacional e à transição para uma economia de baixo carbono.



A entidade parabeniza os organizadores Fausto Varela, do Sindifer, e John Atherton, da IIMA, pela iniciativa, bem como os palestrantes Paulo Carvalho, da decarbValue, e Marcelo Rocha, pelas exposições objetivas e esclarecedoras, que contribuíram para qualificar o debate e ampliar a compreensão sobre os desdobramentos regulatórios e comerciais do tema.

Alguns pontos fundamentais discutidos:

▪️ O escopo do CBAM está limitado às emissões de CO₂.
▪️ Emissões de metano não entram, assim como remoções florestais.
▪️ A isenção de emissões de biomassa para combustão deve atender aos critérios da RED II.
▪️ Já para a biomassa utilizada diretamente no processo de redução, há documento de esclarecimento do CBAM (2023) que prevê isenção total, sem necessidade de comprovação adicional à luz da RED II.

Valores de referência de emissões (CBAM) para o Brasil:

🔹 Ferro-gusa (7201)
Valor de referência: 1.478 kg CO₂ por tonelada

🔹 Ferroligas incluídas no CBAM:

▪️ FeMn (7202 11) – 1.690 kg CO₂/t
▪️ FeCr alto carbono (7202 41) – 2.350 kg CO₂/t
▪️ FeNi (7202 60 00) – 3.480 kg CO₂/t

📌 Ferroligas não incluídas no CBAM:

▪️ Silício Metálico
▪️ CaSi
▪️ FeSi

📌 Ferro-gusa brasileiro e competitividade

Para usinas a carvão vegetal, o inventário certificado pode reduzir o fator de emissão para próximo de zero.

Impacto estimado (ferro-gusa):

 • Utilizando valor de referência: taxa de aproximadamente €35/t em 2026, €66/t em 2028, podendo chegar a €380/t em 2032.
 • Com inventário certificado adequado: possibilidade de redução da taxa a zero.

O debate evidenciou uma vantagem competitiva estrutural do Brasil, especialmente para produtores com base em biomassa renovável, elemento que pode se tornar decisivo diante das novas exigências ambientais impostas pelo mercado europeu.

O CBAM configura-se, sem dúvida, como um desafio regulatório relevante. No entanto, também pode representar uma oportunidade estratégica para consolidar a diferenciação ambiental da indústria brasileira, sobretudo quando há rastreabilidade, uso de base renovável e inventários de emissões robustos.

A ABRAFE seguirá atenta e atuante na defesa da competitividade do setor e no reconhecimento das especificidades da indústria brasileira nos fóruns nacionais e internacionais.

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