A ABRAFE, representada pelo seu diretor executivo, Bruno Parreiras esteve nessa quinta, dia 09/07, na Reunião Ordinária do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, que promoveu importantes discussões sobre os impactos da investigação da Seção 301 dos Estados Unidos, as negociações de um acordo Mercosul–Japão e as oportunidades de atração de investimentos para Minas Gerais.
Gabriella Santos, da CNI, abriu a apresentação, trazendo uma atualização sobre a tramitação da investigação da Seção 301 e o intenso trabalho de defesa realizado pela CNI em favor da indústria brasileira diante da possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A CNI detalhou as investigações conduzidas pelo USTR e informou que as recomendações incluem tarifas adicionais de 25% e 12,5%, relacionadas a supostas práticas comerciais discriminatórias e falha em proibir importação de bens produzidos com trabalho forçado. A entidade destacou sua atuação técnica em audiências públicas, defendendo que o Brasil não adota medidas discriminatórias e que as tarifas preferenciais com México e Índia são limitadas, além de destacar avanços no combate ao desmatamento ilegal e ao trabalho forçado, com argumentos baseados em dados e legislação.
Também foram analisados os impactos das tarifas sobre setores como metalurgia, alimentos, celulose, papel, ferroligas, silício metálico e etanol, com representantes desses segmentos apresentando estratégias de defesa e ressaltando a importância dos insumos brasileiros para a indústria norte-americana.
No caso específico do setor representado pela ABRAFE, a maior parte das ferroligas foi contemplada na lista de exceções proposta pelo USTR. Entretanto, o ferrosilício (FeSi) permanece entre os produtos sujeitos às medidas, o que mantém nossa preocupação. A ABRAFE também participou ativamente da consulta pública do USTR, apresentando sua manifestação técnica em defesa da competitividade do setor.
Sobre as negociações com os Estados Unidos, Gabriella esclareceu que a CNI atua como defensora técnica dos interesses da indústria, enquanto as negociações políticas são conduzidas pelo governo brasileiro, por meio do MRE e do MDIC, com apoio do embaixador Roberto Azevedo. Os participantes destacaram a necessidade de maior transparência sobre a condução dessas negociações e o alinhamento entre governo e setor produtivo.
Em seguida, Alexandre Mello, presidente do Conselho de Relações Internacionais, apresentou informações sobre o início das negociações do acordo Mercosul-Japão, destacando oportunidades para setores como alimentos, bebidas, ferro, ligas e indústria automotiva, além de incentivar a participação na consulta pública, aberta até 15 de agosto, como estratégia para ampliar mercados diante das tarifas americanas. O acordo de livre comércio com o Japão pode beneficiar exportações brasileiras em diversos setores, com potencial de 1,7 bilhão de reais, fortalecendo acordos existentes e abrindo novas oportunidades para Minas Gerais e o Brasil.
Já Milena Pedrosa, Presidente da Invest Minas, apresentou as ações da agência para atração de investimentos em Minas Gerais, destacando projetos em diversos setores, desafios relacionados à infraestrutura, logística, segurança jurídica e mão de obra qualificada, além de iniciativas voltadas à descarbonização, inovação e fortalecimento das empresas já instaladas no estado.
Milena também reforçou a importância de valorizar as empresas que já estão instaladas em Minas Gerais. Durante o debate, Bruno Parreiras destacou que, além de atrair novos investimentos, é fundamental apoiar as indústrias que há décadas transformam a riqueza mineral do Estado em produtos de alto valor agregado, gerando empregos, renda, divisas e desenvolvimento.
Bruno também manifestou a preocupação com o momento desafiador enfrentado pelo setor de ferroligas e silício metálico, em razão das importações desleais de ferroligas da Índia e de silício metálico da China, que comprometem a competitividade da indústria nacional e colocam em risco investimentos, empregos e a geração de riqueza no país.
A ABRAFE ressalta ainda que, mais de 50% da capacidade produtiva brasileira de ferroligas e silício metálico está concentrada em Minas Gerais, reforçando o papel estratégico do Estado para essa cadeia produtiva.
Por fim, foram discutidos gargalos logísticos e tributários, defendendo melhorias na infraestrutura, avanços na reforma tributária e a criação de grupos de trabalho entre FIEMG, Invest Minas e governos estadual e federal para fortalecer a competitividade e o ambiente de negócios em Minas Gerais.
A ABRAFE agradece à FIEMG, na pessoa do presidente do Conselho de Relações Internacionais, Alexandre MELLO, pela condução dos trabalhos e pela realização de mais um encontro de alto nível, fortalecendo o diálogo entre a indústria, as entidades representativas e o poder público.
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