No dia 3 de setembro, a Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (ABRAFE) participou do evento Conversas Setoriais, promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O encontro reúne agentes do mercado de energia, associações, academia e sociedade civil em fóruns técnicos e rodadas de diálogo voltados à discussão de temas relevantes para o setor energético brasileiro.

Na abertura do encontro, a EPE apresentou um panorama sobre a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira, destacando o crescimento da oferta interna de energia eólica e solar. Entre as fontes não renováveis, foi abordado o aumento da participação do gás natural. A apresentação também trouxe informações sobre a repartição da Oferta Interna de Energia (OIE) em 2025, além de dados relacionados ao consumo de energia pela indústria e às emissões de CO₂ no país.

Na sequência, a ABRAFE apresentou um panorama do setor de ferroligas e silício metálico, começando por números gerais da atividade e de suas empresas associadas. A apresentação também explicou os diferentes tipos de ferroligas e suas aplicações, destacando a importância desses materiais para diferentes cadeias industriais.


A programação avançou para dados sobre produção nacional, exportações e importações, apresentando um retrato da participação do setor no mercado brasileiro e internacional. Também foram abordadas a rota tecnológica utilizada na produção e a importância da energia no processo produtivo, tema especialmente relevante para uma indústria eletrointensiva.
Outro destaque da apresentação foi o Inventário de Emissões do setor de Ferroligas e Silício Metálico, que permitiu analisar as emissões e as fontes de energia utilizadas nos diferentes tipos de ligas. Os dados apresentados evidenciam as características diferenciadas da produção brasileira, especialmente em relação ao uso de fontes renováveis e de carvão vegetal proveniente majoritariamente de florestas plantadas.

De acordo com os dados apresentados pela ABRAFE, o setor possui uma matriz energética composta por aproximadamente 83% de fontes renováveis, enquanto a média da indústria nacional é de cerca de 65%. O Inventário de Emissões também demonstra que o cenário atual da produção brasileira apresenta aproximadamente 80% menos emissões do que um cenário baseado em fontes fósseis, utilizado como referência para rotas predominantes internacionalmente.

A apresentação também destacou que ferroligas e silício metálico são materiais estratégicos para a indústria e para a transição energética, contribuindo para a descarbonização da cadeia metalúrgica e para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono.
Na parte final do encontro, a ABRAFE apresentou as perspectivas para o setor e os desafios que vêm impactando sua competitividade no mercado internacional. Entre os temas abordados estiveram as novas tarifas americanas, a Seção 301, questões relacionadas a trabalhos forçados e as salvaguardas adotadas pela Comunidade Europeia.

Segundo a Associação, apesar das vantagens ambientais da produção brasileira, esses atributos ainda não são adequadamente reconhecidos nos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, novas políticas comerciais vêm modificando as condições de competitividade e colocando em segundo plano características ambientais relevantes da produção nacional.
Outro ponto destacado foi o aumento das importações de ferroligas e silício metálico, principalmente provenientes da Índia e da China. Para a ABRAFE, a entrada de produtos com maior intensidade de carbono pode levar à substituição da produção nacional por materiais com maior pegada de carbono na cadeia siderúrgica brasileira.

Integração entre minerais críticos e descarbonização
Ao concluir sua participação, a ABRAFE reforçou a importância de uma abordagem integrada para dois temas estratégicos para o desenvolvimento industrial brasileiro: a agenda de minerais críticos e estratégicos e a descarbonização da indústria nacional.
Para a Associação, essas agendas devem avançar de forma integrada, promovendo o desenvolvimento conjunto das cadeias produtivas nacionais. A posição considera tanto o caráter estratégico das ferroligas e do silício metálico para a indústria e para a transição energética quanto as características ambientais da produção brasileira.
A participação no Conversas Setoriais reforçou, assim, a importância do diálogo entre os diferentes agentes envolvidos na agenda energética e industrial brasileira e abriu espaço para apresentar as características, os desafios e as oportunidades de um setor estratégico para a indústria nacional.