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GT Energia: Primeira reunião de 2026 projeta cenário desafiador com alta de preços e restrição hídrica

BELO HORIZONTE – Realizada em 27 de janeiro de 2026, a primeira reunião do ano do grupo GT Energia foi marcada por análises cautelosas sobre o futuro imediato do setor elétrico brasileiro. O encontro contou com a apresentação técnica de Jorge Luiz de Carvalho Brandão, especialista ex-CEMIG com mais de 40 anos de experiência no setor, que detalhou as perspectivas eletroenergéticas e os riscos iminentes para o mercado.

Preços Elevados e Mudanças Metodológicas

As projeções apresentadas por Brandão indicam uma trajetória de preços inédita para 2026. A estimativa é que o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) apresente uma média de R$ 324/MWh, com possibilidade de atingir picos próximos a R$ 670/MWh entre agosto e setembro, caso se confirme um cenário hidrológico restritivo semelhante ao biênio 2018/2019.

O especialista explicou que essa elevação é sustentada pela adoção de modelos de planejamento mais conservadores, como a função “New Wave híbrido”. Implementada para aumentar a resiliência do sistema, essa metodologia prioriza a preservação dos níveis de armazenamento dos reservatórios, resultando em maior segurança energética, porém com custos operacionais mais elevados no curto prazo.

Hidrologia Adversa e Pressão da Demanda

O cenário climático foi apontado como um fator crítico. A análise do período de 1 a 20 de janeiro registrou anomalia negativa de chuvas nas principais bacias, e os modelos meteorológicos para fevereiro indicam a permanência de baixas afluências. O Sistema Interligado Nacional (SIN) enfrenta atualmente o quinto pior histórico de afluência, com um déficit previsto de 21,9 GW médios para o período úmido.

Paralelamente à escassez hídrica, o sistema sofre pressão pelo aumento da carga. Ondas de calor registradas em janeiro de 2026 superaram as do ano anterior, intensificando o uso de ar-condicionado e elevando o consumo.

Impactos no Mercado e Próximos Passos

O cenário de volatilidade e preços elevados acende um alerta para agentes com exposição descontratada (posição short), gerando instabilidade financeira para algumas comercializadoras. Durante a reunião, discutiu-se a fragilidade do atual monitoramento prudencial do setor e a necessidade de mecanismos mais robustos de mitigação de risco.

O grupo encerrou a sessão com a definição da pauta para o próximo encontro: uma avaliação quantitativa detalhada sobre o impacto do leilão de reserva de capacidade, que deverá influenciar os riscos de preço e volume no mercado de energia.

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