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Inovação na Segurança do Trabalho: Tecnologia de Pupilometria Transforma a Prevenção de Acidentes na Indústria

O GT de Segurança do Trabalho da ABRAFE reuniu-se no dia 5 de novembro de 2026 para debater a integração de novas tecnologias na prevenção de acidentes na indústria. O encontro contou com a participação de Everton Pereira, representante da Sobereye, que apresentou uma tecnologia inovadora capaz de analisar as condições cerebrais dos trabalhadores e identificar riscos invisíveis antes do início das operações.

A tecnologia apresentada, desenvolvida pela empresa americana Sobereye, utiliza a pupilometria para analisar o funcionamento cerebral e identificar deficiências neurocognitivas, cujos efeitos podem estar relacionados à fadiga, ao uso de medicamentos ou de drogas O teste dura cerca de um minuto: o trabalhador coloca o dispositivo e mantém os olhos fechados durante 50 segundos, para adaptação. Em seguida, abre os olhos e recebe um flash de luz com duração de quatro segundos. A análise compara a resposta de constrição pupilar e o tempo de reação com uma linha de base personalizada para cada trabalhador, estabelecida em 10 dias. Segundo a apresentação, essa resposta não pode ser controlada voluntariamente ou burlada. O equipamento também utiliza biometria da íris para garantir que o teste esteja sendo realizado pela pessoa correta.

Durante o encontro, a empresa Maringá Ferro-Liga compartilhou sua experiência com a adoção da ferramenta. Após um processo de gestão da mudança que durou dois anos, a empresa iniciou a utilização do sistema em março de 2026. A estratégia de implementação contemplou as seguintes etapas:

  • Aquisição de 150 licenças e nove equipamentos (óculos), distribuídos entre áreas críticas, florestais e de fornos, caracterizadas por uma forte interface homem-máquina.

  • Aplicação de um protocolo segundo o qual os resultados classificados como de “alto risco” implicam uma pausa de 20 minutos, seguida de um novo teste, para evitar falsos positivos causados por correria ou agitação antes do turno.

  • Encaminhamento dos casos de alto risco confirmados após o reteste para avaliação pela saúde ocupacional, por meio de anamnese, responsável por decidir sobre a aptidão do trabalhador.

Os resultados práticos obtidos pela Maringá Ferro-Liga demonstraram impactos significativos não apenas na segurança, mas também na saúde preventiva dos colaboradores. Em um levantamento de quase 10.000 testes realizados desde maio de 2026, foram confirmados 145 casos de alto risco. Por meio da avaliação da saúde ocupacional, a tecnologia também contribuiu para identificar problemas de saúde ainda não mapeados, entre os quais se destacam:

  • Casos de hipertensão e comorbidades associadas, correspondentes a 18,4% dos registros.

  • Situações de fadiga e problemas de sono, associadas a 14,3% dos resultados.

  • Dores relacionadas à ergonomia, que corresponderam a 12,2% dos casos avaliados.

A implementação do sistema na Maringá Ferro-Liga foi acompanhada de cartilhas educativas, com o objetivo de reforçar seu caráter preventivo, e teve boa aceitação por parte dos trabalhadores e do sindicato local.

A reunião evidenciou a importância do compartilhamento de boas práticas no setor e destacou a monitorização neurológica como uma barreira de segurança importante para proteger vidas e identificar vulnerabilidades silenciosas no ambiente de trabalho.

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