O Grupo de Trabalho de Energia da ABRAFE realizou, no dia 11 de novembro de 2025, sua reunião mensal, com a participação do empresário Ailton Ricaldoni, que apresentou o projeto Serra Talhada – um empreendimento de geração off-grid e 100% renovável localizado na região de Santana do Pirapama (MG).

O projeto, desenvolvido pela Nanum, empresa de Ailton Ricaldoni, foi inicialmente concebido para a produção de hidrogênio verde (H₂V), mas evoluiu para um modelo de geração autônoma voltado à produção de silício de grau eletrônico, em razão da viabilidade econômica e da abundância de cristal de quartzo de alta pureza na região.
Com uma configuração híbrida de 137,8 MW eólicos, 32,89 MW solares e 19,9 MW em baterias, o projeto alcança 60 MW de energia firme e totalmente independente da rede elétrica. Os estudos indicam custo de produção do hidrogênio verde de apenas US$ 1,99/kg, um dos mais competitivos do mundo. A fase atual, voltada ao silício eletrônico, projeta produção anual de 1.700 toneladas e faturamento estimado de R$ 1,7 bilhão, com payback inferior a dois anos.
Durante a reunião, Ricaldoni explicou que a combinação dos recursos eólicos e solares da Serra do Espinhaço, somada à altitude e ao vento laminar constante, garante alta eficiência e regularidade na geração. Segundo ele, a adoção do modelo off-grid elimina encargos e tributos incidentes sobre a energia do mercado livre, reduzindo drasticamente o custo final do megawatt-hora (cerca de R$ 111/MWh).


O diretor executivo da ABRAFE, Bruno Parreiras, destacou que a proposta “demonstra ser possível manter geração firme e competitiva fora do sistema interligado, com potencial para abastecer fornos elétricos de ferroligas ou silício metálico”. Ele ressaltou que o custo da energia é o maior desafio do setor e que soluções desse tipo podem representar um salto de competitividade internacional, especialmente por utilizarem energia verde e carvão vegetal, reforçando a imagem de sustentabilidade das ferroligas brasileiras.
Os participantes também discutiram aspectos técnicos da produção de silício grau eletrônico, abordando as rotas metalúrgica e química, a eletrointensividade do processo e as possibilidades de cooperação tecnológica e investimentos no país. Ricaldoni destacou ainda o momento geopolítico favorável para o Brasil ingressar nesse mercado, diante das restrições comerciais entre China e Estados Unidos.
O encontro foi encerrado com agradecimentos mútuos e o reconhecimento do potencial transformador do projeto para o setor eletrointensivo brasileiro, unindo inovação, energia limpa e oportunidade industrial em Minas Gerais.