O Grupo de Trabalho de Energia (GT Energia) da Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e de Silício Metálico (ABRAFE) reuniu-se na última terça-feira para debater as perspectivas econômico-operacionais de curto prazo. A análise hidrometeorológica aponta para um cenário favorável no Sistema Interligado Nacional (SIN), com reflexos diretos na estabilidade do suprimento e na tendência de queda dos preços futuros de energia.
Hidrometeorologia e armazenamento elevado
Sob a influência do fenômeno El Niño, que tem provocado precipitações abundantes nas regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste, o panorama hídrico do país apresenta níveis expressivos de recuperação.
- Energia Natural Afluente (ENA): O mês de outubro figura como o 17º melhor do histórico desde 1931 em termos de afluência no SIN, registrando cerca de 127% da Média de Longo Termo (MLT). No subsistema Sul, o desempenho hidrológico alcança o 6º melhor resultado da história.
- Nível dos Reservatórios: O SIN opera atualmente com níveis de energia armazenada em patamares elevados, ao redor de 60%, garantindo tranquilidade de suprimento para os próximos anos.
- Expectativa de Preços (PLD): Diante da elevada disponibilidade hidráulica, os modelos de projeção apontam que a média do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para 2026 e 2027 tende a operar no piso regulatório (com médias estimadas na faixa de R$ 57/MWh a R$ 180/MWh).
Desafios operacionais e volatilidade horária
Apesar do cenário hídrico favorável, a transição da matriz elétrica brasileira e a rápida expansão de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar fotovoltaica, impõem novos desafios à gestão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Durante o mês de outubro, foram registrados episódios pontuais de volatilidade horária no PLD, com picos de preços elevados nos horários de ponta. Esses eventos decorreram da combinação entre rampas acentuadas de carga na transição da geração solar para o final da tarde e desligamentos ou indisponibilidades de usinas térmicas em submercados com restrições.
Especialistas e membros do GT Energia ressaltaram que, embora o armazenamento hídrico ofereça uma margem de segurança estrutural ao país, é necessário continuar acompanhando atentamente os encargos sistêmicos e os custos decorrentes das restrições operacionais.
Posicionamento estratégico e competitividade industrial
Para a indústria de ferroligas e silício metálico, altamente eletrointensiva e estratégica para as cadeias globais de valor, a garantia de energia abundante a preços competitivos é fundamental para a sustentabilidade e o planejamento de longo prazo.
Diante da perspectiva de preços futuros contidos e dos reservatórios abastecidos, o GT Energia reforçou a importância do acompanhamento contínuo do ambiente regulatório e das oportunidades de otimização do portfólio de suprimento, incluindo parcerias e mecanismos como a Redução Voluntária de Demanda (RVD).
A ABRAFE continuará atuando junto às instâncias governamentais e regulatórias para apoiar o aprimoramento contínuo das regras do setor elétrico, contribuindo para a previsibilidade e a modicidade tarifária necessárias ao crescimento da indústria nacional.